sábado, 17 de maio de 2014

A vista

De tanto tentar deixei que viesse sinceramente.
Todos os instantes permiti sua manifestação de mudez que aqui se insere.
A este repentino desafio que se faz presente,
Remeto-me a todos os instantes menos cabíveis.
Eu vendo,
Há quilômetros de distância todas as distorções do que me parecia mais exato,
Controlava tudo o que vinha ao meu redor, mas escorregava entre os dedos,
Com todos os gostos e sensações do que me apresentava.
E sendo,
Apenas aquilo que me projetava neste tempo tão saudoso,
Cheia de indagações mais trajadas de rebeldia inconformada.
Aqui por quanto? por onde? por quê?
Eu tento,
Voltar ao vazio e dar novos sentidos a minha epopeia súbita,
Mas entre cavalos, lanças e reinos o que me fará mais sábia?
Vestir-me com a armadura? Saber cravar a lança? Ou ter um bom cavalo?
Eu me atento
A cada instante, a cada hora, a cada detalhe
E ainda assim sempre me deparo com o nada.
Estes instantes, horas, detalhes não me deixam mais que retratos na parede.
Como voltar? E voltar me traz recomeço?
Porque se volto e rabisco tudo de novo, será que meu começo será começo?
Será que voltar é recomeço?
Será avesso?
Será que eu sempre tendo, sendo, atento chego a tempo pra pensar no que partiu?
Ou no que começou?
A única certeza é de que a tudo que me cabe,
Cabe minha história.










quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sobre mim...

Eu simplesmente gosto da minha escrita esquizofrênica. Gosto da minha afinidade pelos contrastes, pelos adjetivos, pelas rimas mal feitas, pelas frases assimétricas. Quando eu escrevo, a ordem é mínima só porque odeio, abomino as regras exageradas das ditaduras dos textos formais. Escrita pra mim tem que ser leve. Tem que ser ato libertário, de se revelar, de ser o que se é sem medo de correções. Nunca fui uma ótima aluna em redação, nem venerei a gramática. Em contrapartida sempre amei as palavras, os sentidos, suas formas e contornos. Sempre me encantei pelo som em que elas fazem quando combinadas. Na melodia de quando tocadas pela garganta, boca, dentes. Pra mim é como se quase ganhassem uma materialidade e fossem sentidas na pele. E escrevê-las é como me desligar daqui. É como ser algo que eu não conhecia e me misturar entre outras coisas entre o que eu sou e o que eu até então não sabia que fazia parte de mim.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mãe Preta


Eu abri essa ferida foi pra você entrar.
Foi pra te carregar comigo como me carregava no embalo das minhas noites de insônia.
Abro o coração só pra não deixar escapar esse sorriso da moleca contadora de estórias.
De tanto rir me fiz também você e de todos os “vocês” que a vida me trouxe.
Hoje é da sua risada gostosa, da sua voz tão doce e das piadas mais puras é que eu me lembro.
E não mais da dor.
Não havia dor nos seus olhos, nem medo na sua voz.
Só havia você e nada mais.



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Bilhete

Desculpe a falha da tinta, a caneta é antiga.
Venho até aqui, nesta folha de caderno, oferecer-te versos.
É debaixo dessas mãos miúdas que se passa um dia, semana, meses...
Talvez anos inteiros, em segundos.
Nessas pequenas histórias já se fazem vidas rabiscadas.
Pode ser que não façam o menor sentido.
Que tudo que eu dedique seja estranho.
Mas quero mesmo assim poder dizer o quanto a menores coisas podem ser essencias.
O quanto essas palavras simples podem ser as melhores que consiga trazer.
E que estes pequenos momentos...Estes eu guardo pra sempre.

Redemoinho


Deixe o tempo levar, ir embora.
Tire a roupa suja de poeira.
Vem pra roda dançar os quatro ventos.
Que hoje eu quero te ver passar.
Não grita nem apavora.
Que agora a vida anda e quem fica é sempre a velha menina do espelho.
É essa música nova que toca aqui por dentro.
Só de sonhar me sopra a sinfonia que eu quero ouvir.
Vem comigo, vem cor-rendo.
Porque é como diz o velho Chico: "Tem coisas que o coração só fala pra quem sabe escutar."

terça-feira, 29 de maio de 2012

O milagre das folhas

"...Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos meus cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante. Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo. Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza."


(Clarice Lispector)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Hoje


Hoje tô meio frouxo, xoxo, sem vida, opaco, sem nada.
Hoje o dia não me preencheu, nasceu cru e morreu abafado no escuro.
Hoje sem nada pra dizer.
Sem ter o que fazer,  a casa mudou de tom.
Ela fez assim, sem minha permissão.
E eu com cara de boba.
Olhando a cortina parada e a ventania lá fora
Esperando o tempo ir embora pra eu ir junto.
Porque hoje to presa nesse assunto de dia ruim.